ELOGIO EM BOCA PRÓPRIA É VITUPÉRIO
João Dias da Silva sábado, janeiro 20, 2007... assim diz o povo e creio que é bem verdade.
O Ministério da Educação anda a lançar uma cortina de fumo sobre as insuficiências e deficiências que ao fim de dois anos não consegue eliminar do sistema educativo português. E esforça-se então por avançar com números, com medidas, com planos, com projectos.
A verdade nua e crua é, no entanto, que as condições de sucesso nas escolas não melhoraram, os programas das disciplinas continuam desajustados, os mecanismos de apoio aos alunos que deles precisam não são lançados, os pobres continuam pobres e sem acesso ao conhecimento e ao sucesso.
As 50 medidas de sucesso que o ME agora apresenta são mera fachada. É preciso mostrar-lhe 100 realidades que as desmentem e essas serão só uma minoria em relação à crua e feia realidade com que nos defrontamos.
É que "uma andorinha não faz a Primavera", diz também o povo e com razão.
Não vale a pena esconder a realidade dura e que nos envergonha com mantos diáfanos de tecnologias que não temos, de sucessos que ainda não atingimos.
Assumir as insuficiências e admitir que as mudanças são lentas é o primeiro sinal possível de que poderemos então começar a provocar as alterações - coerentes e consistentes - de que precisamos.
O Dia da Imposição do ECD
João Dias da SilvaFoi hoje publicado o novo ECD que o Governo de José Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues impõe aos professores portugueses.
A partir daqui, nada vai ser como dantes. As mudanças que muitos reclamávamos não eram estas. O que vai acontecer é que vão crescer as desconfianças entre pares, as dúvidas e até as invejas. O ambiente nas salas de professores e a confiança da relação entre quem trabalha na escola vão modificar-se radicalmente. A franqueza vai deixar de ser possível, porque se instala a incerteza sobre as consequências do que se diz e não diz, faz e não faz. A carreira vai ser uma incerteza.
Que é que se espera de bom com estas alterações?
Qualidade, exigência, rigor?
Não, certamente. O empenhamento profissional vai ser substituído por outras preocupações bem mais úteis que não vão ter impacto positivo nos resultados escolares.
A mudança não foi bem conduzida.
Este não é o caminho, porque há outros caminhos para melhorarmos a Educação em Portugal
