OS DOCENTES PORTUGUESES MERECEM SEGURANÇA E RESPEITO PELA SUA AUTORIDADE

Quem inesperadamente chegue a Portugal e veja as notícias sobre educação dar-se-á conta de que o único tema que aflige os docentes portugueses é o de uma avaliação de desempenho injusta que o Ministério da Educação lhes quer impor.
É certo e indesmentível que é fortíssimo o nível de contestação que aquela medida provoca generalizadamente. Esta avaliação está associada a um Estatuto de Carreira Docente todo ele construído numa matriz economicista e claramente funcionarizante do papel de todos os docentes, o que o mesmo é dizer claramente desprestigiante de uma carreira que deveria ser acarinhada, reconhecida e valorizada.
Mas impõe-se dizer que não se esgotam aí as preocupações dos docentes portugueses.
E desde logo é central a questão da autoridade e da segurança dos docentes portugueses, hoje em dia.
Tem-se querido instalar o princípio do poder do "cliente", o aluno, ao serviço do qual deveriam estar subordinadas todas as acções que se desenvolvem nas escolas. E se esse primado é inquestionável no domínio da exigência de que todos os alunos têm direito a um ensino de qualidade, já o mesmo não se pode dizer relativamente a comportamentos e atitudes que se revelam francamente inaceitáveis e violadores de princípios mínimos de respeito de uma pessoa em relação a outra.
A escola tem de ser um espaço onde se respira liberdade com autoridade, onde se reconhece e valoriza o papel e o lugar dos docentes, onde a estes é reconhecido o legítimo direito a determinarem as ordens e orientações adequadas a processos de aprendizagem que visam atingir o sucesso educativo.
E nesta matéria o papel dos pais e encarregados de educação é essencial, para que os alunos saibam e reconheçam que dentro da escola a autoridade é exercida pelos professores, auxiliados pelo pessoal de apoio que aí exerce funções, e que essa autoridade deve ser respeitada, no escrupuloso cumprimento das regras e das ordens que são transmitidas. Assim, as Famílias devem ser responsabilizadas pelos comportamentos e atitudes dos seus educandos que não preencham estas orientações.
Estas são também preocupações centrais para que sejam respeitadas condições adequadas de exercício profissional e por elas vale a pena lutar.

AS LEIS TÊM DE SER DE CONFIANÇA

Hoje em dia, instalou-se o princípio de que as leis, quando são publicadas, são para contestar.
E é legítima esta atitude.
Com efeito, são tantas as circunstâncias em que se verifica que o legislador ultrapassa os limites a que tem de estar condicionado, em termos de congruência geral da legislação produzida, que o mais comum é hoje que a lei seja contestada, ou por ser inconstitucional, ou por ser incoerente com a que já existe.
O actual Ministério da Educação é um permanente factor de instabilidade legislativa. Por um lado, e por considerar certamente que as leis que anteriormente foram produzidas são empecilhos à sua acção, apressa-se a querer substituí-las. Mas, ao fazê-lo, normalmente o que produz como legislação é inconsistente e frágil. Outras vezes, legisla nos limites da legislação existente, criando legítimas dúvidas sobre a sua inteira legalidade ou constitucionalidade. Outras vezes ainda, actua à margem da legislação existente, esperando por uma oportunidade legislativa que venha permitir o que já está em curso.
É uma situação de instabilidade que só se traduz em insegurança para as pessoas.
É preciso exigir que as leis sejam bem feitas, congruentes umas com as outras, que sejam claras, transparentes, nas quais os cidadãos possam confiar.
De outro modo, se a lei é nebulosa e perceptível apenas para uns quantos iluminados que a entendem, é a própria democracia que está em jogo. E nós não permitimos que se brinque com a democracia.

PODE-SE E DEVE-SE CONFIAR NA FNE

Os docentes portugueses que encaram a sua profissão com uma perspectiva exigente e rigorosa podem confiar na negociação que a FNE conduz neste momento.
Sabemos que temos a responsabilidade de procurar encontrar soluções de carreira que mobilizem os profissionais, que os valorizem e que os reconheçam.
Sabemos que esta tarefa é difícil, mas não desistimos dela.
Não mereceríamos a confiança dos docentes portugueses se não explorássemos ao máximo uma oportunidade para definir uma estrutura de carreira aliciante.
O actual ECD, com uma divisão injusta e desnecessária dos professores, deve ser substituído por um outro ECD.
Os docentes portugueses que tão determinadamente têm lutado contra as injustiças deste ECD não vão ficar desiludidos com as posições sérias, consistentes, exigentes e rigorosas que a FNE coloca em cima da mesa. Porque só com estes critérios a carreira poderá ascender aos níveis remuneratórios que se impõem.
Todos os docentes têm à sua disposição as propostas da FNE, no seu site http://www.fne.pt/; todos podem comentá-las e sugerir. As propostas da FNE reflectem a vontade dos docentes portugueses.




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