VIOLÊNCIA ESCOLAR PREOCUPA ALGUNS MINISTROS EUROPEUS

"Os ministros do Interior da Espanha, Alemanha, Reino Unido, Polónia, Itália e França defenderam, este domingo, uma acção global da União Europeia contra a violência escolar, após o massacre de Winnenden, na quarta-feira, em que um jovem matou 15 pessoas antes de se suicidar", acaba de anunciar a TSF.
Acrescenta que estes seis ministros defenderam uma acção global dos 27 contra a violência escolar, tendo o responsável alemão anunciado que transmitirá o pedido à presidência checa da UE e à Comissão Europeia.
A este propósito, convém lembrar que, em Portugal, o relatório nacional de segurança de 2008 continua à espera dos contributos do Ministério da Educação acerca dos incidentes tratados pelo Programa Escola Segura, ao contrário do que aconteceu relativamente a 2007, em que o próprio Ministério se apressou a divulgar os respectivos resultados, na sequência de uma intervenção para "corrigir" os critérios que serviam de base à elaboração dos relatórios anuais.
A questão da violência escolar é demasiado séria para poder ser tratada com preocupações de mera oportunidade política.
Como a FNE tem sucessivamente salientado, a questão da violência escolar deve ser assumida ao nível da sua prevenção e não exclusivamente com reforço dos mecanismos de punição.
A violência escolar previne-se. E, mesmo assim, não há certeza de que não possamos enfrentar situações pontuais. Não podemos é não assumir o problema por inteiro, e garantir mecanismos que realizem essa acção de prevenção, como é o caso das equipas multidisciplinares dentro das escolas, constituídas por psicólogos, assistentes e educadores sociais, os quais, em colaboração com os professores, devem relizar todo o trabalho que possa ser lançado, quer em termos globais de escola/agrupamento de escolas, quer em termos de acompanhamento de todas as situações de que possam retirar sinais de preocupação.
Sobre esta matéria, não há lugar para esconder a realidade.

ESCOLA A TEMPO INTEIRO E BOM SENSO

Está a realizar-se hoje o 34º Encontro da Confederação Nacional das Associações de Pais - CONFAP.
Na sessão de abertura, foi pedido que as escolas passem a estar abertas 12h por dia.
Respondeu a Ministra da Educação que este pedido não pode representar que nem as crianças, nem os professores, nem os técnicos e trabalhadores de apoio tenham que ter esse horário.
Vê-se, assim, que este é um tempo em que a reivindicação de uma escola a tempo inteiro pode ganhar contornos perigosos. Perigosos para os profissionais - docentes e pessoal de apoio; perigosos para as crianças.
Ninguém nega o direito dos pais trabalhadores pedirem que a creche/o jardim/a escola dos seus filhos/educandos esteja aberta tão cedo quanto possível para que possam chegar a horas ao seu posto de trabalho.
Ninguém nega que os pais trabalhadores possam ter à sua disposição um serviço de enquadramento e apoio dos seus filhos/educandos enquanto não regressam a casa.
Também parece ser pacífico que a instalação social designada por escola possa ser disponibilizada à comunidade em que se insere para que aí se possam desenvolver actividades culturais, sociais e recreativas, dentro das regras que para o efeito vierem a ser estabelecidas pelo repsectivo órgão de gestão, e sem que a a actividade principal - aulas - seja prejudicada ou condicionada por essas iniciativas.
Mas não pode deixar de se dizer que o crescimento harmonioso das crianças em termos pessoais, sociais e educativos não é compatível com uma permanência excessiva no mesmo espaço escolar, reduzindo a permanência em casa e com a Família ao tempo do sono.
Do mesmo modo é impensável que não se respeitem as especificificades dos conteúdos funcionais dos diferentos profissionais que trabalhamas escolas com os alunos, ou os horários de trabalho compatíveis com as exigências que lhes são postas pela sua actividade profissional.
Assim, é fundamental que não alinhemos com reivindicações populistas e insensatas - por muito interessantes que possam parecer à primeira vista - e que acolhamos a ideia da escola a tempo inteiro com bom senso e exigência de respeito pelas obrigações de cada um - seja pai ou mãe, professor/educador ou técnico/trabalhador de apoio.

TIC, MAGALHÃES E REALIDADE

O "Expresso" de hoje publica um artigo de Joana Pereira Bastos que tem o título "Escolas não usam o "Magalhães".
O Francismata (twitter) escrevia hoje também que os professores cometerão um erro estratégico se não forem líderes no acesso às TIC.
Ora aqui está uma questão que merece ser discutida.
No "Expresso", acrescenta-se que "Segundo um estudo da OCDE, divulgado em 2006, os estudantes do 3º ciclo que usam o computador com frequência há vários anos tendem a alcançar melhores notas a Matemática do que os colegas sem grande experiência no uso destes aparelhos." Mas acrescenta, em abono da verdade, que "Precisamente o contrário conclui uma investigação realizada em 2005 pela Universidade de Munique, segundo a qual a existência de computadores em casa está negativamente associada ao desempenho dos alunos".
Há por aí algums milhares de "Magalhâes" distribuídos; menos de metade daqueles que já deveriam ter sido entregues. Alguns, eventualmente, já estão vendidos em segundas ou terceiras mãos, porque isto de ter um ou dois irmãos, a receberem todos computadores nas escolas, faz com que uma das máquinas possa ser dispensada, até porque ajuda a um pequeno acréscimo orçamental.
Por outro lado, impõe-se que se diga que dar uma aula ou uma sequência de aulas com o computador como instrumento de trabalho exige estudo, formação, experimentação, ensaio. Não é de um dia para o outro que toda uma experiência de aulas conduzidas com apoio dos manuais escolares, do giz e do quadro, passa para a imediata utilização com sucesso das novas tecnologias.
Isto já para não falar de turmas em que só alguns dos alunos têm computador portátil ou em que as salas de aula só têm uma tomada (e funcionará?).
É pena que o nome do aventureiro Magalhães esteja associado a uma aventura que não se aceita quando o que está em jogo é a preparação consistente dos nossos jovens em termos educativos.
Sem pôr em causa que as novas tecnologias são a ferramenta a que nos temos de habituar; sem esquecer que as crianças e os jovens têm uma disponibilidade enorme para a utilização rápida destas máquinas, a verdade é que o bom senso exige que se seja cauteloso e que os passos que se derem nesta área sejam seguros.

CONSTRUIR O FUTURO COM OS PROFESSORES

No passado dia 10, o Presidente norte-americano, Barack Obama, fez uma declaração acerca das orientações do seu governo em matéria educativa.
As afirmações do novo presidente americano revelam-se claramente como o contraponto de um discurso que sistematicamente se ouviu nos últimos anos a governantes portugueses.
Diz Obama que o que há de mais importante para o sucesso dos alunos é a pessoa que dirige a sala de aula, sendo obrigação da sociedade norte-americana não desperdiçar os seus professores, porque neles e no seu trabalho reside o futuro da América.
Esta é uma visão essencial sobre o papel e o lugar dos professores na sociedade.
Pela responsabilidade das tarefas que lhes cabem, os professores devem ser socialmente valorizados, a sua carreira deve ser atractiva, as condições de trabalho disponibilizadas devem permitir um desenvolvimento profissional de alta qualidade.
Sujeitos ao escrutínio permanente dos grupos de alunos com que trabalham e das suas Famílias, os educadores e professores estão permanentemente sob observação e avaliação. E esta realidade comporta elevados níveis de stress que não podem ser ignorados quando se analisamn os níveis de desgaste que a profissão implica, sendo portanto inteiramente legítimos os mecanismos que se vierem a definir para compensar esse desgaste.
Crescem esses níveis de exigência e de stress nas escolas inseridas naquilo a que se designam os territórios educativos de intervenção prioritária, marcados por elevados índices de insucesso, baixos níveis de qualificação dos adultos, mais situações de indisciplina e até de violência. Aos trabalhadores docentes e não docentes destas escolas deveria ser reconhecido o direito mecanismos consistentes de suporte.
Mas o certo é que o futuro se constrói em todas as escolas, sejam as de intervenção prioritária, seja nas outras; em todas elas, o traço comum é a exigência que se levanta aos professores pelo sucesso educativo efectivo dos seus alunos.
A responsabilidade de tal monta tem de caber idêntico nível de reconhecimento, sob pena de perdermos esta força promotora de um melhor futuro para todos.




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