FORÇAR O SUCESSO ESCOLAR

As estatísticas que o Ministério da Educação lançou ontem com grande alarido provocaram múltiplas reacções de muitas pessoas e organizações.
Ainda bem que assim é, porque isto significa que as questões do sucesso escolar dos alunos que frequentam as nossas escolas preocupam toda a gente. E, tal como acontece no futebol, não faltam "treinadores de bancada" a opinarem sobre o que se fez, o que se faz e o que há para fazer. Também não é por aí que vem mal ao mundo.
O que é preciso desmontar é a referência ao facilitismo que em muitas intervenções vem logo ao de cima. E que, aliás, logo o Governo aproveitou para dizer que falar em facilitismo é uma ofensa aos professores, derivando para estes a responsabilidade que afinal cabe também a quem constrói os normativos sobre estas matérias, e que é precisamente cada governo em funções.
É preciso que se evidencie que quando alguns falamos de facilitismo não estamos a dizer que os professores são menos exigentes ou rigorosos. O que estamos a denunciar é que as regras, os normativos e os procedimentos administrativos que estão ligados à determinação de uma retenção são de tal forma pesados e tantas vezes sem consequências que os seus efeitos são praticamente nulos. Propor aulas de apoio para alunos com dificuldades, em escolas que não têm crédito horário suficiente para dar resposta a todas as solicitações, é uma pura perda de tempo.
O que se provoca através desta teia administrativa que dificulta a retenção ou a reprovação é uma forma barata de forçar o sucesso.
Porque promover mesmo o sucesso sai caro, custa dinheiro, porque exige recursos humanos e materiais suplementares, em favor dos que revelam dificuldades de aprendizagem. E para isto é preciso que as escolam tenham mesmo autonomia; é preciso que as escolas possam gerir recursos humanos; é preciso que as escolas tenham espaços, equipamentos e verbas para materiais desgastáveis.
É preciso que, mal se revelem dificuldades, os alunos sejam apoiados, sem se estar à espera do final do ano lectivo para se verificar o que de há muito já se sabia, mas que não houve condições para ultrapassar. E isto porque o número de turmas e o número de alunos por turma atribuídos a cada professor não permite a cada um, exclusivamente no espaço e no tempo de sala de aula, apoiar cada um dos alunos com dificuldades.
Assim, o que é preciso é forçar o sucesso escolar mesmo, a sério, com exigência, com rigor, com recursos.

ESTATÍSTICAS E SUCESSO REAL

O Ministério da Educação acaba de divulgar números sobre o sucesso escolar, no final do ano lectivo de 2008/2009.
Fica-lhe bem divulgar resultados.
Não lhe fica bem é querer "sugerir" que repentinamente, e por acção das medidas deste Governo, o insucesso reduziu para metade.
É certo que o insucesso reduziu para metade, mas é preciso começar a contar de há 10 anos a esta parte.
É preciso dizer que estes resultados (desde há 10 anos até hoje) são o efeito de outras medidas que outros governos lançaram.
É preciso dizer que os pais destes alunos que agora terminam o 9º ano com 14 e 15 anos, nasceram pouco antes ou pouco depois do "25 de Abril" e que foi esta realidade que nos deu a escola para todos e que a obrigação de completar o 9º ano de escolaridade é contemporânea deste crescimento do nosso sucesso escolar.
É, assim, abusivo que este governo se apresse a apropriar-se do que não é seu.
Mas estes resultados também não nos permitem "embandeirar em arco". Ainda estamos longe das metas que nos estão impostas pela própria União Europeia.
Ainda falta fazer uma análise mais fina destes resultados: este crescimento do sucesso é genérico e abrange do mesmo modo, todos? Está garantido que estes resultados reforçam a coesão social e a equidade? Ou será que os menos protegidos continuam a ter maus resultados?
Assim, é preciso consolidar medidas que sejam acertadas; é preciso lançar novas nedidas que façam com que todos tenham acesso ao sucesso.
É preciso que melhores resultados escolares estatísticos correspondam a efectiva melhor preparação, melhor domínio de conhecimentos e competências para prosseguir estudos e para integrar o mercado de trabalho, quando for o caso.
As estatísticas nuas podem servir campanhas eleitorais, mas devem provocar as nossas exigências.




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